A moda não quer que você tenha estilo
Todo mundo fala sobre encontrar o próprio estilo.
Mas repare, a indústria da moda raramente lucra quando você encontra.
Ela lucra enquanto você procura.
Quando você acredita que precisa de uma tendência nova.
De uma bolsa nova.
De uma cor nova.
De uma estética nova.
Porque uma mulher que sabe exatamente quem é se torna difícil de convencer.
Ela não compra porque alguém mandou.
Não corre para trocar o guarda-roupa a cada estação.
Não abandona aquilo que ama porque alguém decretou que saiu de moda.
Ela escolhe.
E escolha consciente não movimenta o mercado na mesma velocidade que a insegurança.
Por isso, surgem novas regras o tempo todo. A cor da estação. A estética do momento.
Mas existe uma pergunta que raramente fazemos,
Quem lucra quando você acredita que nunca está pronta?
Eu penso nisso sempre que escolho usar um lenço.
Porque eu não uso lenços por causa de uma tendência.
Eu uso porque eles carregam algo que a moda atual parece ter esquecido, memória.
Lembro da minha mãe.
Lembro da minha avó.
Lembro da minha infância.
Lembro das mulheres que vieram antes de mim e que entendiam que elegância não era seguir tendências, mas construir identidade.
O lenço atravessou décadas sem precisar se reinventar para continuar relevante.
Esteve nos cabelos, nos pescoços, nas bolsas e na cintura. Viu tendências nascerem, dominarem vitrines e desaparecerem. E permaneceu.
Talvez porque algumas peças não sobrevivam pelo preço que possuem, mas pelas histórias que carregam.
Quando uso um lenço, não estou apenas compondo uma produção.
Estou carregando referências.
Estou carregando afeto.
Estou carregando a lembrança de mulheres que me ensinaram, mesmo sem dizer uma palavra, que estilo tem muito mais a ver com autenticidade do que com novidade.
E talvez seja justamente isso que torna uma mulher difícil de convencer.
Quando você entende quem é, não precisa trocar de identidade a cada estação.
Não precisa correr atrás de tudo o que o mercado diz que é indispensável.
Você passa a escolher.
E existe uma enorme diferença entre comprar porque deseja e comprar porque foi convencida de que não é suficiente.
A moda sempre foi muito mais do que roupa. Ela fala sobre pertencimento, desejo e identidade.
O problema começa quando deixamos de usar a moda para nos expressar e passamos a usá-la para buscar aprovação.
Porque estilo não nasce da tendência.
Estilo nasce da repetição daquilo que faz sentido para você.
Nasce das peças que contam sua história.
Das referências que atravessam gerações.
Das escolhas que permanecem mesmo quando a moda muda de direção.
Talvez a verdadeira elegância esteja justamente nisso, reconhecer o que tem valor para você e continuar escolhendo, mesmo quando o mundo inteiro escolhe outra coisa.
Porque tendências são visitantes.
Memórias são moradoras.
E algumas peças vestem muito mais do que o corpo.
Elas vestem histórias
Por: Fernanda Romitti