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Além do espelho: a elegância de não precisar parecer

A elegância de não precisar parecer

Existe uma diferença sutil — e imensa — entre quem se veste para ser visto e quem se veste para ser lembrado.

Vivemos a era da exposição. A necessidade de parecer interessante, sofisticado, bem-sucedido ou desejável transformou a moda em uma vitrine permanente. Há quem se vista para a fotografia, para o algoritmo ou para a aprovação de desconhecidos. Tudo precisa causar.

Mas causar não é, necessariamente, comunicar.

As pessoas mais elegantes que conheci jamais precisaram anunciar quem eram. Havia algo muito mais poderoso: presença. Uma identidade construída com tanta convicção que dispensava qualquer esforço para impressionar.

Sempre me interessou esse tipo de beleza. A que nasce da autenticidade.

Personalidade não acompanha tendências. Não depende da cor da estação, da bolsa do momento ou da estética que viralizou na semana passada. Ela se revela nos detalhes, nas escolhas e, principalmente, na liberdade de não vestir aquilo que não conversa com quem somos.

Talvez o maior luxo dos nossos tempos seja justamente esse: não sentir a obrigação de parecer.

Ter estilo nunca foi sobre chamar atenção. É sobre fazer escolhas tão honestas que elas se tornam inconfundíveis. Há uma sofisticação silenciosa em quem não precisa convencer ninguém da própria relevância.

Porque a moda muda. As tendências desaparecem. O algoritmo encontra um novo favorito.

A personalidade, não.

E talvez seja justamente por isso que ela nunca sai de moda.

Por: Fernanda Romitti

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