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A Região da Produção em debate nas eleições de 2026

Entrevistas abordam saúde, educação, segurança, agricultura, infraestrutura e desenvolvimento regional a partir das demandas de Palmeira das Missões e região

Com a aproximação das eleições de 2026, o Jornal Tribuna da Produção, abre espaço para o debate sobre as propostas e os desafios que estarão em pauta na disputa pelo Governo do Rio Grande do Sul.

A partir da realidade de Palmeira das Missões e dos demais municípios da Região da Produção, o jornal preparou uma série especial de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado.

Todos os participantes responderão ao mesmo conjunto de perguntas, elaborado a partir de temas apresentados por entidades representativas da região e pela redação da Tribuna. Participam da construção dos questionamentos a AMZOP, ACAIP, CDL, Sindilojas, Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e UFSM, além da equipe jornalística do jornal.

As perguntas contemplam temas como desenvolvimento regional, saúde, educação, segurança, infraestrutura, agricultura, economia, geração de emprego e serviços públicos, além de questões diretamente relacionadas às demandas de Palmeira das Missões e da Região da Produção.

Participam da série Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB). Todos terão o mesmo espaço e responderão às mesmas perguntas, seguindo um formato único de entrevista.

O conteúdo será publicado nas páginas do Jornal Tribuna da Produção e nos canais digitais do jornal, permitindo aos leitores conhecer as propostas e posições apresentadas pelos candidatos sobre questões de interesse local, regional e estadual.


PRIMEIRA ENTREVISTA

A primeira entrevistada é Juliana Brizola (PDT), candidata ao Governo do Estado. Com trajetória política iniciada em Porto Alegre, foi vereadora da Capital e deputada estadual, além de ter disputado eleições para cargos no Legislativo e no Executivo. Neta do ex-governador Leonel Brizola, foi oficializada pelo PDT como candidata ao Palácio Piratini para as eleições de 2026. A publicação segue a ordem de envio de respostas dos candidatos.

ACAIP — Associação Comercial, Industrial e de Prestação de Serviços. Diego Mafalda | Logística e investimentos.

Palmeira das Missões e a Zona da Produção enfrentam gargalos históricos de infraestrutura e logística, que aumentam o custo do escoamento e dificultam a atração de novos investimentos. Quais são as propostas do seu governo para melhorar a infraestrutura da região, ampliar a competitividade e garantir recursos para esses investimentos?

Não existe desenvolvimento sem infraestrutura. Palmeira das Missões está entre os grandes produtores de grãos do Rio Grande do Sul, com uma agricultura extremamente forte, especialmente na soja. Uma região que produz tanto precisa ter condições de escoar sua produção com mais eficiência, reduzir custos e criar condições para que uma parcela maior dessa riqueza permaneça aqui. Para isso, vamos trabalhar na recuperação das rodovias estaduais e revisar o modelo de concessões, cobrando investimentos, tarifas justas e o cumprimento dos contratos. É necessário fiscalizar os contratos e cobrar os devidos compromissos.

Também precisamos voltar a olhar para ferrovias, hidrovias e para a integração do Rio Grande do Sul com Uruguai e Argentina. Mas nosso desafio não é apenas produzir e transportar. Precisamos ampliar a capacidade de armazenagem, fortalecer as agroindústrias e incentivar a agregação de valor à produção. Quanto mais conseguirmos transformar aqui aquilo que é produzido aqui, mais empregos, renda e oportunidades permanecerão na região. Sabemos que infraestrutura exige investimento. Vamos lutar em Brasília pela prorrogação do Funrigs, pelo Fundo Constitucional da Região Sul e pelos recursos que são de direito dos gaúchos, além de fortalecer BRDE e Badesul como instrumentos de financiamento do desenvolvimento, da inovação e da agroindústria no interior. O Rio Grande do Sul precisa voltar a planejar seu desenvolvimento olhando para todas as regiões e aumentando sua competitividade

SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS. Plinio Simas | Agricultura familiar. A agricultura familiar tem papel fundamental na economia de Palmeira das Missões e da região. Quais políticas o seu governo pretende implementar para fortalecer o pequeno produtor, garantir renda, enfrentar os efeitos das estiagens e criar condições para a permanência dos jovens no campo? Há compromisso com a retomada do Programa Camponês?

A agricultura familiar precisa ser tratada como uma política estratégica de desenvolvimento no nosso governo. É ela que produz alimento, movimenta a economia dos pequenos municípios e mantém milhares de famílias no campo. Entre as nossas propostas estão a ampliação das compras públicas de alimentos para escolas, hospitais e demais equipamentos do Estado, aproximando quem produz de quem precisa consumir. Também vamos fortalecer o acesso ao crédito, à assistência técnica e à agroindustrialização, para que o produtor possa agregar valor àquilo que produz. Queremos ampliar o IRGA, fortalecer as cadeias produtivas e fortalecer escolas agrícolas estaduais. E precisamos preparar o campo para os eventos climáticos extremos, investindo em cisternas, microaçudes, pequenas barragens e segurança hídrica. Nosso objetivo é muito claro: garantir renda, segurança para produzir e condições para que os jovens possam permanecer no campo e construir seu futuro aqui.

SINDICATO RURAL. Ivonei Librelotto | Plano estadual de longo prazo para o agro.

O setor agropecuário gaúcho vem enfrentando sucessivas estiagens, enchentes e dificuldades econômicas. Qual é o seu plano de longo prazo para dar mais segurança ao produtor e tornar o Rio Grande do Sul mais preparado para os eventos climáticos extremos? Quais seriam as primeiras medidas do governo?

Eu sei da importância de Palmeira das Missões para o agro gaúcho. Estamos falando de um município que está entre os grandes produtores de grãos do Rio Grande do Sul, com destaque para a soja, e que se destaca tanto pela área plantada quanto pela produtividade por hectare. Isso não acontece por acaso. É resultado do trabalho dos produtores, do investimento em tecnologia e da capacidade de quem produz aqui. E justamente por conhecer essa realidade, sei também que o produtor não pode continuar trabalhando sem saber se, na próxima seca ou enchente, estará sozinho novamente. O Rio Grande do Sul precisa parar de agir apenas depois que a crise acontece e voltar a planejar. Vamos criar um Sistema Estadual de Gestão de Riscos Climáticos, integrando Defesa Civil, agricultura, meio ambiente, universidades, municípios e setor produtivo, com monitoramento, sistemas de alerta e planejamento regional. Também vamos investir em segurança hídrica, pesquisa, crédito e infraestrutura para aumentar a capacidade de adaptação da nossa produção. Precisamos ter profissionais qualificados no Estado para orientar prefeituras, criar projetos e guiar estratégias de prevenção.

E tudo isso será construído em diálogo permanente com quem produz. Quero um governo que sente à mesa com o setor, escute as diferentes regiões e transforme a agropecuária em uma verdadeira política de Estado, com planejamento para os próximos anos e não apenas para o próximo mandato.

CDL PALMEIRA DAS MISSÕES. Mauri Nilson Bueno | Comércio local.

O comércio local enfrenta a concorrência crescente do e-commerce, aumento dos custos, inadimplência e dificuldades de acesso ao crédito. O que o seu governo pretende fazer para fortalecer os pequenos e médios comerciantes do interior e melhorar o ambiente de negócios?

Quem tem um negócio sabe o quanto é difícil empreender, gerar emprego e manter as portas abertas. No interior, onde o comércio é fundamental para movimentar a economia local, isso precisa receber uma atenção ainda maior do Estado. Nosso compromisso é não aumentar impostos e trabalhar pela redução gradual da carga tributária, além de simplificar a relação das empresas com o poder público. Também vamos fortalecer Banrisul, Badesul e BRDE como instrumentos de crédito para pequenos e médios negócios. Também precisamos criar canais diretos de diálogo com prefeituras e Coredes para compreender as demandas regionais. O Estado precisa deixar de ser um obstáculo e se tornar parceiro de quem trabalha, empreende e gera oportunidades. É essa mudança de relação que queremos começar desde o primeiro ano de governo.

SINDILOJAS PALMEIRA DAS MISSÕES. Gilda Lúcia Zandoná | Carga tributária e burocracia

A carga tributária e o excesso de burocracia estão entre as principais reclamações dos empresários do comércio. Qual é o compromisso da sua candidatura em relação aos impostos e à simplificação dos processos para quem empreende e gera empregos?

Quem gera emprego não pode perder tempo e dinheiro enfrentando uma burocracia que poderia ser resolvida pelo próprio Estado. Nosso compromisso é simplificar processos, não aumentar impostos e trabalhar por uma redução gradual da carga tributária. Temos no nosso plano um projeto para simplificar a formalização e ampliação do acesso ao crédito por meio do Banrisul, Badesul e BRDE, especialmente para pequenos e médios negócios. Vamos ouvir as prefeituras e os Coredes para manter o Estado conectado com as demandas locais e regionais. E quero fazer isso com diálogo permanente com o comércio. Política precisa estar no seu devido lugar: ajudando a resolver problemas e criando condições para quem trabalha e empreende crescer.

UFSM — CAMPUS PALMEIRA DAS MISSÕES. Prof. Adriano Lago | FAPERGS e pesquisa no interior

As universidades do interior têm papel fundamental na produção de conhecimento e no desenvolvimento regional, mas muitas vezes enfrentam dificuldades para acessar recursos de pesquisa. Como seu governo pretende fortalecer a FAPERGS e ampliar os investimentos em ciência, pesquisa e inovação nas universidades e campi do interior?

O conhecimento produzido no interior precisa ajudar a desenvolver o próprio interior. Por isso, vamos fortalecer a FAPERGS e ampliar a conexão entre universidades, poder público e setor produtivo. Queremos incentivar pesquisas em áreas estratégicas para cada região, como agricultura, saúde, inovação, tecnologias assistivas e adaptação aos eventos climáticos extremos. E a UFSM tem um papel fundamental nesse processo. Sei também que existe uma grande mobilização pela implantação do curso de Medicina no campus da UFSM em Palmeira das Missões e que esse é um projeto muito importante para a região. Quero o Governo do Estado como parceiro dessa construção, dialogando com a Universidade e com o Governo Federal para ajudar no que estiver ao nosso alcance. Um curso de Medicina significa formação de profissionais, fortalecimento da pesquisa e da saúde e mais desenvolvimento para toda a região.

Também vamos trabalhar para ampliar a participação das instituições do interior nos investimentos em ciência e inovação. Temos excelentes pesquisadores e universidades fora da Região Metropolitana. O Estado precisa transformar esse conhecimento em soluções, desenvolvimento, emprego e qualidade de vida para as regiões onde ele é produzido.

AMZOP — ASSOCIAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DA ZONA DA PRODUÇÃO. Éder Wink | Ligações asfálticas e BR-386

A região ainda enfrenta problemas de ligações asfálticas e depende de rodovias fundamentais para o escoamento da produção. Qual é o compromisso do seu governo com a melhoria dessas estradas e, especificamente, com a mobilização pela duplicação da BR-386 entre Iraí e Boa Vista das Missões?

Estrada boa não é luxo para uma região produtora. É condição para produzir, atrair investimentos, gerar emprego e desenvolver os municípios. Vamos recuperar rodovias estaduais e priorizar as ligações das regiões produtoras. Também vamos rever a atual modelagem das concessões, fiscalizar contratos e cobrar aquilo que considero básico: investimento, qualidade das estradas e tarifa justa. No caso da BR-386, estamos falando de uma rodovia federal, mas isso não significa que o Governo do Estado possa lavar as mãos.

Quero ser uma governadora muito presente em Brasília, trabalhando junto com os municípios e as lideranças da região para defender a continuidade da duplicação e os investimentos necessários no corredor da produção. O Rio Grande do Sul precisa voltar a ter voz e força para buscar aquilo que é seu por direito.

REDAÇÃO TRIBUNA DA PRODUÇÃO. Jean Prado, Josemar Marins, Mariana Dal Forno e Priscila Devens | Hospital Regional e infraestrutura.

A conclusão do Hospital Público Regional de Palmeira das Missões é uma reivindicação histórica da comunidade e de toda a região. Qual é o compromisso do seu governo com a retomada e conclusão dessa obra? E como a melhoria da infraestrutura rodoviária pode contribuir para ampliar o acesso da população regional à saúde?

Palmeira das Missões e toda a região esperam há tempo demais pelo Hospital Público Regional. Nosso compromisso é atuar com toda a força e prioridade do Governo do Estado para que as obras do Hospital Público Regional de Palmeira das Missões sejam retomadas o quanto antes, garantindo à população da região uma estrutura moderna e estratégica para ampliar o acesso à saúde de média e alta complexidade. O Hospital Regional será fundamental para reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias especializadas, fortalecendo a rede pública de saúde e oferecendo atendimento mais próximo, qualificado e resolutivo à nossa população. Além de sua importância para a saúde, um hospital dessa magnitude terá papel estratégico no desenvolvimento econômico e social de Palmeira das Missões e de toda a região, gerando empregos, movimentando o comércio e os serviços, atraindo profissionais e investimentos e fortalecendo o município como referência regional em saúde. Também vamos fortalecer os hospitais filantrópicos e regionais. Eu sou autora do Pró-Hospitais, que permite às empresas destinarem parte do ICMS diretamente para Santas Casas e hospitais filantrópicos, ajudando a ampliar atendimento, estrutura e capacidade de realização de exames e cirurgias. E saúde também depende de infraestrutura. Quem precisa percorrer quilômetros para uma consulta, exame ou atendimento de urgência sabe o quanto uma estrada ruim pesa. Por isso, melhorar as rodovias e fortalecer a rede regional de saúde fazem parte do mesmo compromisso: garantir que morar no interior não signifique ter menos acesso aos serviços públicos.

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