Abrimos o Pinterest, salvamos uma referência, encontramos uma peça parecida, copiamos o sapato, a bolsa, os acessórios e pronto: o look está montado. Mas existe uma pergunta que quase nunca fazemos: isso realmente me representa?
Nunca tivemos tantas referências de moda disponíveis. Em poucos minutos, encontramos milhares de imagens dizendo o que usar e qual estética está em alta. O problema começa quando a inspiração vira reprodução e passamos a nos vestir não como somos, mas como a personagem que desejamos interpretar.
Tem a clean girl, a old money, a fashionista, a minimalista, a boho, a executiva poderosa. Cada estética parece chegar com um manual pronto: roupa, cabelo, acessórios e até o café da fotografia. Você entra na fantasia. Talvez fique bonito. Mas é você?
Um look pode estar impecável e ainda parecer deslocado de quem o veste. Estilo não acontece apenas quando as peças combinam entre si, mas quando aquilo que usamos conversa com a nossa personalidade, a nossa vida e a maneira como queremos ser vistos.
Copiar uma produção inteira do Pinterest é fácil. Mais interessante é entender o que naquela imagem conversa com você: uma cor, uma proporção, o jeito de usar uma camisa ou um acessório. Referência deveria ampliar possibilidades, não entregar uma identidade pronta.
A moda permite brincar com versões de nós mesmos, mas alguma assinatura pessoal precisa atravessar todas elas. No fim, o melhor look talvez seja aquele que faz alguém olhar e dizer: “isso é muito você”.
Antes da próxima compra, vale perguntar: estou escolhendo uma roupa para o meu estilo ou um figurino para interpretar alguém que vi na internet? Tendências passam, estéticas mudam. Estilo começa quando você deixa de tentar parecer outra pessoa.
Por: Fernanda Romitti