A relação entre atividade física e saúde mental envolve uma interação complexa entre sistemas neuroendócrinos, neurotransmissores e fatores neurotróficos.
Durante o exercício, ocorre a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela resposta ao estresse, com alterações na liberação de cortisol. A prática regular de exercícios, especialmente quando adequadamente prescrita, pode contribuir para uma melhor regulação dessa resposta.
O exercício também influencia sistemas relacionados à serotonina, dopamina, noradrenalina e endorfinas, substâncias envolvidas na modulação do humor, da motivação, da recompensa e da percepção da dor. Além disso, a atividade física aumenta a disponibilidade de BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), proteína importante para a plasticidade neural, a aprendizagem e a adaptação do sistema nervoso.
Outro mecanismo relevante envolve a inflamação sistêmica. Pessoas com depressão podem apresentar alterações em marcadores inflamatórios, e a prática regular de exercícios pode favorecer uma resposta anti-inflamatória e aprimorar a regulação metabólica. A atividade física também está associada à melhora da qualidade do sono e da função cognitiva, fatores diretamente relacionados à saúde mental.
Os efeitos, entretanto, dependem da dose, intensidade, frequência e individualidade biológica. Tanto o treinamento aeróbico quanto o treinamento de força apresentam evidências de benefícios psicológicos. Contudo, a prática excessiva, especialmente quando associada à recuperação inadequada, pode aumentar a carga fisiológica e o estresse. Por isso, a prescrição deve considerar a condição física, a rotina, o sono, a recuperação e as características individuais de cada pessoa.
Esses mecanismos ajudam a explicar por que a prática regular de exercícios está associada à redução de sintomas de depressão e ansiedade e à melhora do bem-estar psicológico. O exercício não atua sobre um único “hormônio da felicidade”, mas sobre uma rede integrada de mecanismos neurobiológicos e comportamentais.
Entretanto, é importante destacar que a atividade física é uma ferramenta de promoção e cuidado em saúde mental, mas não substitui o tratamento psicológico ou psiquiátrico quando este é necessário.
Neste Setembro Amarelo, cuidar da saúde significa olhar para o indivíduo de forma integral, considerando corpo, cérebro, comportamento e relações sociais.
Francisco Güttler Zambiasi — Profissional de Educação Física e acadêmico de Nutrição.