A primavera está chegando. E, enquanto a natureza se prepara para florescer, talvez a vida esteja fazendo um convite silencioso para nós deixar ir aquilo que já cumpriu o seu propósito. Existe algo muito bonito no ciclo da natureza. As árvores não seguram suas folhas secas por medo de ficarem vazias. Elas simplesmente deixam cair. Confiam que, depois do inverno, outras folhas virão.
E talvez essa seja uma das maiores lições que precisamos aprender, nem tudo aquilo que seguramos precisa continuar conosco.
Às vezes, seguramos coisas, roupas que não usamos mais, objetos quebrados, papéis antigos, brinquedos que já não fazem sentido. Coisas que ocupam espaço, seguramos lugares que já não nos pertencem, relacionamentos que perderam o sentido, pessoas que precisamos deixar seguir, empregos que já não nos fazem crescer, histórias que insistimos em repetir, mágoas que carregamos há anos.
E, muitas vezes, seguramos até versões antigas de nós mesmos.
Seguramos porque temos medo. Medo do vazio, do desconhecido, de não encontrar algo melhor.
E é justamente aí que precisamos aprender a abrir mão do controle. Nós temos um poder enorme de criação. Nossos pensamentos, escolhas, atitudes e intenções participam da construção da nossa realidade. Somos cocriadores da nossa caminhada.
Às vezes, queremos tanto segurar uma porta que já está se fechando, sem perceber que existe outra se abrindo logo adiante.
E talvez o novo não esteja chegando porque ainda estamos ocupando nossas mãos com o velho.
Para algo novo chegar, é preciso existir espaço. Espaço na casa, na agenda, no coração, na mente, na vida.
Por isso, neste final de Inverno, faça uma pausa e pergunte a si mesmo. O que eu estou segurando que já deveria ter deixado ir?
Que roupa você guarda há anos esperando um dia que talvez nunca chegue?
Que objeto quebrado continua ocupando espaço?
Que lembrança você revisita todos os dias, mesmo sabendo que ela machuca?
Que relacionamento você mantém apenas por medo de ficar sozinho?
Que lugar você permanece apenas porque tem medo de partir?
Que trabalho já não conversa com seus sonhos?
Que pessoa você precisa perdoar, talvez até a si mesmo para finalmente seguir?
E que versão antiga de você precisa morrer simbolicamente para que uma nova possa nascer?
Deixar ir não significa dizer que aquilo não foi importante. Significa reconhecer que foi importante enquanto precisava ser.
Alguns ciclos precisam terminar não porque deram errado, mas porque chegaram ao fim. E tá tudo bem.
Às vezes, um final é apenas a vida dizendo: “Você já aprendeu o que precisava aprender. Agora pode seguir.”
Deixar ir é um ato de confiança. É confiar que aquilo que sair da sua vida não precisa ser substituído imediatamente. É confiar no silêncio entre um ciclo e outro.
Porque a natureza nunca floresce de uma hora para outra.
Antes da primavera, existe o inverno. Antes do nascimento de algo novo, existe um período de recolhimento, transformação e desapego.
Talvez você esteja exatamente nesse lugar. Então não tenha tanta pressa de preencher os espaços vazios. Às vezes, o vazio é exatamente o espaço que Deus precisava para colocar algo novo.
Neste finalzinho de Inverno permita-se soltar. Solte o que pesa, o que venceu, o que não combina mais com quem você está se tornando, a necessidade de controlar cada detalhe, a culpa pelo que não deu certo, a expectativa de que as coisas precisam acontecer exatamente como você imaginou.
Faça sua parte. Plante suas sementes.
Cuide daquilo que está sob sua responsabilidade.
E depois, entregue. Confie.
Movimento gera energia. Energia gera transformação.
E transformação é o que permite que a vida continue acontecendo.
Dica Kokoro
Abra as janelas. Deixe o ar circular. Coloque a luz para entrar.
Separe roupas que não servem mais, objetos que você não usa, brinquedos que as crianças já cresceram e tudo aquilo que está parado, quebrado ou esquecido.
Por: Franciele Breitenbach
Doe o que puder ser útil para alguém.
Descarte aquilo que não tem mais condições de uso.
Organize seus armários.
Limpe os cantinhos esquecidos.
E, enquanto você movimenta as coisas do lado de fora, perceba o que começa a se movimentar dentro de você.
Que nesta primavera você não apenas veja flores nascerem.
Que você também permita que uma nova versão de você floresça