Vivemos uma época em que a tecnologia transforma rapidamente a sociedade. A inteligência artificial já chegou aos escritórios e aos tribunais, os processos são eletrônicos e inúmeras tarefas jurídicas podem ser realizadas em poucos segundos.
Diante dessa transformação, uma pergunta merece ser feita: qual é o papel do advogado em uma Justiça cada vez mais tecnológica?
A resposta está na própria Constituição Federal: o advogado é indispensável à administração da Justiça. E isso não é um privilégio da profissão. É uma garantia do cidadão.
Quem procura um advogado não busca apenas alguém que conheça leis. Busca alguém capaz de compreender seu problema, identificar seus direitos, avaliar riscos e construir uma estratégia de defesa, na medida do possível, bem como diante dos documentos apresentados, ao causídico.
Muitas vezes, o advogado é quem está entre o cidadão e estruturas muito maiores, como o Estado, instituições financeiras ou grandes empresas. Por isso, acesso à Justiça não significa simplesmente ter acesso a um processo eletrônico. Significa ter condições reais de defender seus direitos.
A tecnologia pode tornar o Judiciário mais eficiente. A inteligência artificial pode auxiliar na pesquisa, na organização de informações e em diversas atividades. Porém, nenhuma ferramenta pode substituir a responsabilidade humana, a ética profissional e a capacidade de compreender as consequências de uma decisão na vida de uma pessoa.
Por trás de cada processo existe uma história. Existem famílias, patrimônios, expectativas e direitos que precisam ser protegidos.
É justamente nesse espaço que a advocacia permanece essencial.
A função do advogado, além de peticionar aos autos do processo, consiste na argumentação, questionamento e combate à ilegalidades e garantir os direitos do seu cliente. O futuro será tecnológico, e a advocacia precisa acompanhar essa transformação. Mas tecnologia não substitui ética; velocidade não substitui Justiça; e inteligência artificial não substitui responsabilidade.
Modernizar o Judiciário é necessário. Entretanto, nenhum avanço pode retirar do processo aquilo que lhe dá sentido: o contraditório, a defesa, a dignidade humana e o direito de ser ouvido.
Enquanto houver alguém precisando defender um direito, haverá uma razão para que o advogado permaneça onde sempre deve estar: ao lado do cidadão e a serviço da Justiça.
Por: Paulo Roberto Silveira — Advogado — OAB/RS 91.89