Setembro chega vestido de amarelo para nos lembrar de algo que, muitas vezes, esquecemos na correria da vida: nem toda dor é visível.
Existem pessoas que sorriem enquanto o coração pede socorro. Que continuam trabalhando, cuidando da casa, dos filhos, dos outros… que respondem “está tudo bem” quando, por dentro, estão tentando encontrar forças para simplesmente continuar.
Há dores que não fazem barulho.
Nem sempre elas aparecem em lágrimas. Às vezes, estão naquele silêncio diferente, no afastamento repentino, na falta de entusiasmo, no olhar que parece distante, na mudança de comportamento, naquele sorriso que já não chega aos olhos.
E talvez seja justamente por isso que precisamos aprender a olhar além daquilo que nos é mostrado.
O Setembro Amarelo não deveria ser apenas um mês de campanhas, frases e laços amarelos. Ele pode ser um convite para que sejamos mais atentos uns aos outros. Para que a gente desacelere um pouco e perceba quem está ao nosso lado.
Que a gente tenha coragem de perguntar e principalmente, disposição para ouvir.
Porque perguntar “você está bem?” é fácil. Difícil é permanecer quando a resposta for “não”.
Difícil é ouvir sem julgar. É acolher sem tentar diminuir a dor do outro. É compreender que nem sempre precisamos ter respostas as vezes só nossa presença já é uma forma de cuidado.
E para você que está atravessando uma fase difícil, que carrega uma tristeza que ninguém percebe, que sente que precisa esconder aquilo que está vivendo atrás de um sorriso, saiba que você não precisa passar por isso sozinho.
Permita-se falar. Procure ajuda. Aceite ser cuidado. Não tenha vergonha de dizer que não está bem.
Pedir ajuda não é fraqueza. É um ato de coragem.
E para todos nós, fica o convite para que olhemos um pouco mais devagar para as pessoas. Não apenas para aquilo que elas dizem, mas para aquilo que talvez estejam tentando dizer sem palavras.
Talvez aquela pessoa que parece tão forte esteja precisando de um abraço.
Talvez aquele sorriso esconda uma tristeza profunda.
Talvez um simples “eu estou aqui, pode falar comigo” seja exatamente o que alguém precisava ouvir naquele momento.
Não podemos conhecer todas as batalhas que cada pessoa enfrenta em silêncio. Mas podemos escolher ser mais sensíveis, mais presentes e menos indiferentes.
Que neste Setembro Amarelo a gente não apenas fale sobre a importância da vida. Que a gente aprenda a cuidar dela com mais carinho, amor e empatia.
Porque, às vezes, antes que a dor se torne um grito, ela dá pequenos sinais.
Que nossos olhos estejam atentos.
Que nossos ouvidos estejam disponíveis.
Que nossos braços estejam abertos.
E que ninguém precise sorrir para esconder a própria dor quando poderia encontrar, ao seu lado, alguém disposto a dizer:
“Você não precisa enfrentar isso sozinho. Eu estou aqui.”
Kokoro Vibração Positiva
Neste mês, escolha estar verdadeiramente presente.
Pergunte. Escute. Acolha. Observe.
E se você perceber que alguém está sofrendo, não tente carregar esse dor sozinho nem assumir o papel de profissional. Incentive essa pessoa a buscar ajuda especializada e permaneça por perto.
Se você estiver vivendo um momento de sofrimento intenso ou pensando em tirar a própria vida, procure ajuda imediatamente. No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, e também existem serviços de saúde e emergência que podem oferecer acolhimento.
Às vezes, uma conversa não resolve tudo.
Mas uma conversa pode ser o começo de alguém perceber que não está sozinho.
Por: Franciele Breitenbach