Informativo da Emater/RS-Ascar aponta avanço lento nas lavouras e grande variação na produtividade da safra
A colheita da soja no Rio Grande do Sul atingiu 50% da área cultivada na safra 2025/2026, estimada em 6,6 milhões de hectares. O ritmo dos trabalhos tem sido marcado por interrupções causadas pela irregularidade das chuvas, que também impactam diretamente a produtividade das lavouras.
Clima afeta ritmo e rendimento da soja
De acordo com levantamento da Emater/RS-Ascar, a distribuição desigual das chuvas nas últimas semanas manteve a umidade elevada no solo e nas plantas, dificultando a entrada de máquinas e provocando paralisações frequentes na colheita.
As lavouras apresentam estágios distintos de desenvolvimento: 36% estão em fase de maturação, enquanto outras ainda se encontram em enchimento de grãos e floração, reflexo das diferenças nos períodos de semeadura no Estado.
A produtividade varia significativamente entre regiões e até dentro de um mesmo município. Áreas com melhor regime de chuvas e manejo mais tecnificado mantêm rendimentos próximos do esperado. Já em locais afetados por estiagens durante fases críticas do ciclo, há perdas expressivas — em alguns casos, com produção abaixo do custo. A média estadual é estimada em 2.871 quilos por hectare.
Milho, arroz e feijão têm cenários distintos
A colheita do milho se aproxima do fim, atingindo 86% da área cultivada, superior a 800 mil hectares. Apesar das adversidades climáticas, a produtividade média estadual é de 7.424 quilos por hectare, com qualidade considerada satisfatória. Há, porém, registros pontuais de perdas associadas ao atraso na colheita e à alta umidade.
No caso do arroz, a colheita chega a 74% da área. Mesmo com a desaceleração causada pelas chuvas frequentes, os rendimentos são considerados positivos, com produtividade média de 8.744 quilos por hectare.
Já o feijão da primeira safra teve a colheita concluída, mas com resultados irregulares, especialmente nos Campos de Cima da Serra, onde o clima afetou a produção. A média estadual é de 1.781 quilos por hectare. Em contrapartida, a segunda safra apresenta bom desenvolvimento, favorecida pelas condições recentes.
Pecuária sente efeitos da transição de pastagens
No campo das pastagens, o período marca a transição entre espécies de verão e inverno, com redução na qualidade nutricional. As chuvas recentes ajudam na implantação das pastagens hibernais, essenciais para a alimentação dos rebanhos.
Na bovinocultura de corte, o cenário é de estabilidade, com ajustes na alimentação. Já na produção de leite, há queda em algumas regiões, influenciada pela menor qualidade do pasto e pelo estresse térmico dos animais, o que aumenta a necessidade de suplementação.
Clima segue como principal desafio
O cenário da safra no Rio Grande do Sul evidencia os impactos das condições climáticas ao longo do ciclo produtivo, com reflexos diretos na produtividade e no planejamento das atividades no campo.