Antes mesmo de dizer seu nome ou explicar do que gosta, você já entregou algumas pistas. A roupa faz isso. Cria impressões, desperta associações e comunica, mesmo quando essa não era a intenção.
Moda nunca foi apenas sobre cobrir o corpo. É linguagem e, como toda linguagem, possui códigos. Olhamos para alguém e imaginamos a música que escuta, os lugares que frequenta, seu estilo de vida e até suas opiniões.
Em períodos eleitorais isso fica ainda mais evidente. Cores, camisetas, bonés e símbolos ganham significados políticos e, muitas vezes, tentamos até adivinhar o voto de alguém pela aparência. Às vezes acertamos. Muitas vezes erramos. Afinal, roupa comunica, mas não apresenta caráter ou título de eleitor.
E isso vai muito além da política. Rock, sertanejo, punk, hip-hop, tradicionalismo e tantas outras culturas transformaram roupas, cabelos e acessórios em sinais de identidade e pertencimento. Até quem diz “não ligo para moda” está comunicando alguma coisa.
Mas quanto do nosso gosto realmente nasceu de nós?
Gostamos de acreditar que nossas escolhas são totalmente individuais, mas somos influenciados pela época em que crescemos, pela música, pelo cinema, pelas pessoas que admiramos e, hoje, pelas milhares de imagens que consumimos nas redes sociais.
A moda não apenas acompanha nossos gostos. Ela também ajuda a criá-los. Quantas coisas você já achou horrorosas e, depois de vê-las repetidamente, começou a considerar interessantes?
Isso não significa que não temos personalidade. Significa que ninguém constrói sua identidade dentro de uma bolha.
Ter estilo não é inventar algo que ninguém jamais vestiu. É selecionar referências e fazer com que elas tenham a nossa cara. Duas pessoas podem usar exatamente a mesma peça e transmitir mensagens completamente diferentes.
Talvez esteja aí a diferença entre seguir tendências e ter estilo. A moda oferece referências, novidades e possibilidades. Mas somos nós que decidimos o que merece entrar no nosso armário e o que não tem absolutamente nada a ver conosco.
A tendência oferece possibilidades. O estilo escolhe.