O câncer e seus tratamentos podem estar associados à redução da força muscular, perda de massa magra, fadiga, redução da capacidade funcional e comprometimento da qualidade de vida. Nesse contexto, o treinamento de força apresenta-se como uma importante estratégia dentro da abordagem multidisciplinar do paciente oncológico.
Evidências recentes indicam que o exercício resistido pode contribuir para a manutenção ou melhora da força e da função física, além de auxiliar no controle da fadiga relacionada ao câncer. Diretrizes da American Society of Clinical Oncology (ASCO) recomendam exercícios aeróbicos e/ou resistidos durante e após o tratamento, respeitando as condições clínicas e funcionais de cada indivíduo.
A prescrição, entretanto, deve ser individualizada e baseada na avaliação clínica e funcional, considerando tipo e estágio do câncer, tratamento realizado, efeitos adversos, comorbidades, nível de condicionamento e resposta ao exercício. Variáveis como intensidade, volume, frequência e seleção dos exercícios devem ser ajustadas progressivamente.
O treinamento de força não substitui o tratamento oncológico convencional e não deve ser apresentado como terapia curativa. Seu papel está principalmente relacionado à preservação da capacidade funcional, composição corporal, autonomia e qualidade de vida.
Dessa forma, a atuação do profissional de Educação Física, integrada à equipe multiprofissional, é fundamental para que o exercício seja aplicado com segurança, individualização e respaldo científico.
Referências: Bower et al. (2024); Ligibel et al. (2022); ASCO/SIO (2024).
Por: Francisco Zambiasi