Marcelo Maranata responde às perguntas feitas pela Tribuna da Produção e por entidades representativas da Região da Produção
A série especial de entrevistas do Jornal Tribuna da Produção com os candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul chega a uma nova etapa. O objetivo é aproximar o debate eleitoral da realidade vivenciada por Palmeira das Missões, pela Região da Produção e pelos demais municípios gaúchos.
A partir de demandas e temas presentes no cotidiano regional, a iniciativa busca oferecer aos leitores elementos para conhecer as posições apresentadas pelos candidatos sobre questões que envolvem o Estado e que também têm impacto direto nos municípios.
A construção do conteúdo contou com a participação da redação da Tribuna da Produção e de entidades representativas da região: AMZOP, ACAIP, CDL, Sindilojas, Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e UFSM.
Entre os assuntos abordados estão saúde, educação, segurança, infraestrutura, agricultura, economia, geração de emprego, serviços públicos e desenvolvimento regional.
A série reúne Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB). O formato adotado pelo jornal busca assegurar a apresentação das entrevistas dentro de critérios uniformes, permitindo ao leitor acompanhar as respostas dos participantes aos mesmos temas.

Natural de Camaquã, Marcelo Maranata é advogado e construiu sua trajetória política em Guaíba. Ao longo da carreira eleitoral, disputou cargos no Legislativo e no Executivo municipal e estadual. Em 2018, concorreu a uma vaga de deputado estadual e, em 2020, foi eleito prefeito de Guaíba pelo PDT. Em 2024, foi reeleito para o cargo.
Em 2025, Maranata deixou o PDT e ingressou no PSDB. Em 2026, teve sua candidatura ao Governo do Rio Grande do Sul oficializada pelo partido e deixou a Prefeitura de Guaíba para disputar o Palácio Piratini.
Na entrevista à Tribuna da Produção, Maranata responde às perguntas elaboradas pelas entidades representativas da região e pela redação do jornal, abordando temas relacionados a Palmeira das Missões, à Região da Produção e ao Estado.
ACAIP — Associação Comercial Agroindustrial e de Serviços. Diego Mafalda | Logística e investimentos.
Quais projetos estruturantes seu governo pretende priorizar para superar os gargalos logísticos de Palmeira das Missões e região, reduzir custos e atrair investimentos? Quais serão as fontes de recursos?
Minha prioridade será organizar, junto com os municípios e o setor produtivo, uma carteira regional de projetos de infraestrutura, priorizando a recuperação de rodovias, pontes e acessos críticos, a conclusão de obras paralisadas e a melhoria das conexões com os principais corredores logísticos do Estado. Vamos trabalhar com orçamento estadual, financiamentos de longo prazo, recursos federais captados por uma presença permanente do governo em Brasília e, quando houver viabilidade técnica e econômica, concessões e parcerias. Também quero rever o modelo de concessões para que grandes investimentos estruturais não recaiam exclusivamente sobre as tarifas pagas por quem produz e circula na região.


SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS. Plinio Simas | Agricultura familiar.
Quais políticas concretas pretende implementar para fortalecer a agricultura familiar, com crédito, assistência técnica, agroindustrialização, comercialização, produção de alimentos saudáveis e permanência dos jovens no campo? Assume o compromisso de retomar e ampliar o Programa Camponês como política permanente de Estado, com orçamento próprio?
Quero fortalecer a agricultura familiar de forma integrada, ampliando assistência técnica e extensão rural, crédito, irrigação e reservação de água, agroindustrialização, cooperativismo, comercialização e acesso às compras públicas, além de criar condições para que os jovens tenham renda, tecnologia e perspectivas para permanecer no campo. O Banrisul também terá papel importante no financiamento de irrigação, armazenagem e modernização produtiva. O nosso Plano de Governo não cita nominalmente o Programa Camponês nem estabelece hoje uma rubrica específica para ele, por isso não vou assumir um compromisso que não esteja formalizado no plano; o que assumo é avaliar e fortalecer os instrumentos que apresentem resultados para a agricultura familiar, com metas, transparência e previsão orçamentária responsável.
SINDICATO RURAL. Ivonei Librelotto | Plano estadual de longo prazo para o agro.
O Estado do RS tem a sua economia altamente dependente do setor primário (agronegócio, agroindústria, geração de empregos). Nos últimos anos fomos muito afetados por secas, enchentes e queda nos preços. Você está disposto a implementar um plano de desenvolvimento agropecuário para o Rio Grande do Sul ? (Um Plano de Estado e não de Governo)
Quero consolidar uma política agropecuária de longo prazo, construída com produtores, sindicatos, cooperativas, universidades, municípios e entidades técnicas, com metas regionais, investimentos e avaliação permanente. As primeiras ações serão mapear as necessidades hídricas de cada região, ampliar irrigação e reservação de água, fortalecer assistência técnica e defesa sanitária, incentivar agricultura de precisão, biotecnologia e diversificação produtiva, ampliar instrumentos de seguro e gestão de risco, melhorar armazenagem e conservação do solo e usar o Banrisul para apoiar a modernização do campo. O governo não controla as oscilações internacionais de preços, mas pode reduzir a vulnerabilidade do produtor e dar maior previsibilidade à atividade.


CDL PALMEIRA DAS MISSÕES. Mauri Nilson Bueno | Comércio local.
Diante da inadimplência, perda do poder de compra e concorrência do e-commerce, qual medida concreta seu governo adotará para reduzir os custos do comércio, estimular o consumo local e fortalecer pequenos e médios comerciantes? O que será feito nos primeiros 12 meses?
Nos primeiros 12 meses, quero reduzir principalmente o custo e o tempo de fazer negócios, implantando uma porta única digital para o empreendedor, simplificando abertura e licenciamento de empresas e estabelecendo prazos claros para decisões administrativas. Vamos ampliar o acesso de pequenos e médios comerciantes ao crédito e às garantias por meio do Banrisul, apoiar a modernização tecnológica e a presença digital das empresas, oferecer capacitação em gestão e acesso a mercados e fortalecer a participação de fornecedores locais nas compras públicas quando permitido pela legislação. A resposta à concorrência do comércio eletrônico será ajudar o comércio regional a se modernizar, ganhar produtividade e competir melhor.
SINDILOJAS PALMEIRA DAS MISSÕES. Gilda Lúcia Zandoná | Carga tributária e burocracia
Quais medidas concretas seu governo pretende adotar para reduzir a carga tributária e a burocracia, facilitar contratações, estimular empregos e fortalecer o comércio e as empresas da região?
Não vou prometer uma redução generalizada de impostos sem mostrar como ela será financiada, mas vou trabalhar para reduzir o custo total de empreender no Rio Grande do Sul, revisar incentivos tributários com base em resultados e diminuir fortemente a burocracia. Vamos integrar Junta Comercial, Receita Estadual, órgãos ambientais, municípios e Corpo de Bombeiros numa porta única digital, simplificar procedimentos para atividades de baixo risco, estabelecer prazos para análises, ampliar crédito e garantias para pequenas empresas e aproximar a qualificação profissional das necessidades do setor produtivo. O objetivo é criar um ambiente mais simples, previsível e competitivo para quem quer investir, ampliar seu negócio e gerar empregos.


UFSM — CAMPUS PALMEIRA DAS MISSÕES. Prof. Adriano Lago | FAPERGS e pesquisa no interior
Qual será seu plano para fortalecer os editais da FAPERGS destinados à pesquisa e inovação nos campi do interior, garantindo maior acesso a recursos para instituições como a UFSM de Palmeira das Missões?
Quero que a política estadual de ciência, tecnologia e inovação tenha uma presença regional muito mais forte, com apoio à pesquisa relacionada aos desafios e às vocações de cada território, ampliação de bolsas, atração e retenção de talentos e fortalecimento dos ambientes de inovação no interior. Vamos estimular editais e programas que aproximem universidades, empresas e governos, permitindo que instituições como a UFSM de Palmeira das Missões ampliem projetos em áreas como agro, alimentos, saúde, sustentabilidade, biotecnologia e inovação. Também quero acompanhar e tornar pública a distribuição regional dos investimentos, além de utilizar recursos estaduais para alavancar parcerias e captar mais recursos nacionais para pesquisa e inovação.
AMZOP — ASSOCIAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DA ZONA DA PRODUÇÃO. Éder Wink | Ligações asfálticas e BR-386
Qual será seu projeto para ampliar e qualificar as ligações asfálticas entre os municípios da Zona da Produção e da Região Celeiro, especialmente nas áreas de maior produção? E qual será a atuação do Governo do Estado para viabilizar e acelerar a duplicação da BR-386 entre Iraí e Boa Vista das Missões, considerada estratégica para o desenvolvimento do Norte gaúcho?
Quero construir com a AMZOP e os municípios uma carteira regional de ligações asfálticas, utilizando critérios objetivos como volume de produção, circulação de pessoas, acesso à saúde e educação e conexão com os principais corredores logísticos, priorizando também a recuperação de pontes, acessos críticos e obras já iniciadas. Em relação à BR-386, o Governo do Estado terá atuação permanente junto ao governo federal para defender a aceleração dos projetos e investimentos necessários, oferecendo articulação institucional e apoio técnico sempre que necessário. Uma das marcas do meu governo será justamente estar presente em Brasília para defender projetos estratégicos do Rio Grande do Sul e acompanhar sua execução, em vez de simplesmente esperar que as decisões aconteçam.

REDAÇÃO TRIBUNA DA PRODUÇÃO. Jean Prado, Josemar Marins, Mariana Dal Forno e Priscila Devens | Hospital Regional e infraestrutura.
A obra do Hospital Público Regional de Palmeira das Missões está parada e embargada desde 2022, enquanto a região também enfrenta problemas nas rodovias. Como seu governo pretende viabilizar o hospital, fortalecer a saúde regional e melhorar a infraestrutura rodoviária para garantir acesso mais rápido e seguro aos serviços de saúde?
Quero tratar o Hospital Público Regional de Palmeira das Missões como um projeto estratégico para toda a região, começando por um diagnóstico técnico e financeiro que permita definir com clareza o que falta, quanto custa, quais são as responsabilidades de cada ente, as fontes de recursos e um cronograma público para sua execução. Ao mesmo tempo, vamos fortalecer a rede regional já existente, organizar a saúde em grandes polos, ampliar consultas, exames, cirurgias e especialidades mais próximas da população e dar transparência às filas. E saúde regionalizada também depende de infraestrutura: por isso, a recuperação das rodovias, pontes e acessos utilizados por pacientes, ambulâncias e profissionais fará parte da estratégia para garantir atendimento mais rápido e seguro.
