A preocupação com medicamentos adquiridos no Paraguai não deve ser baseada simplesmente em sua origem geográfica, mas na procedência, autenticidade, regularidade sanitária e, principalmente, nas condições de conservação durante toda a cadeia de distribuição.
Medicamentos injetáveis, como os utilizados no tratamento da obesidade, podem exigir controle rigoroso de temperatura. A quebra da cadeia de refrigeração, a exposição ao calor ou o congelamento inadequado podem comprometer a estabilidade físico-química do princípio ativo.
Isso pode resultar em perda de potência, alterações na qualidade e comprometimento da segurança do medicamento, mesmo quando sua aparência externa parece normal.
Outro ponto importante é a ausência de rastreabilidade: sem informações confiáveis sobre fabricação, lote, transporte e armazenamento, não há como assegurar que o produto manteve as condições necessárias até chegar ao consumidor.
Um medicamento pode ter um princípio ativo reconhecido e eficácia comprovada, mas isso não garante a qualidade de uma unidade que foi transportada ou armazenada inadequadamente.
Portanto, a questão não é simplesmente onde o medicamento foi comprado, mas se existe garantia de procedência, regularização sanitária e manutenção das condições de conservação estabelecidas pelo fabricante.
Em saúde, não basta saber o que você está aplicando. É preciso saber se aquilo que está sendo aplicado manteve sua qualidade e segurança.
Por Francisco Zambiasi