O bocejo durante a musculação é relativamente comum, especialmente em exercícios intensos ou durante os intervalos entre séries. Embora sua função exata ainda não esteja totalmente esclarecida, a literatura relaciona o fenômeno a mecanismos envolvendo fadiga, estado de alerta, sistema nervoso central e termorregulação.
Durante o exercício intenso, ocorre aumento da atividade do sistema nervoso simpático e da liberação de catecolaminas, como adrenalina e noradrenalina. Essas substâncias são fundamentais para a resposta ao esforço, mas não devem ser consideradas, isoladamente, responsáveis pelo bocejo. O comportamento é regulado por diferentes circuitos e neurotransmissores do sistema nervoso central.
Outra hipótese envolve a termorregulação cerebral. Como o exercício aumenta a produção de calor metabólico, o bocejo pode participar de mecanismos relacionados ao controle da temperatura cerebral, embora essa explicação ainda seja discutida cientificamente.
Assim, bocejar durante o treino não significa necessariamente falta de oxigênio ou excesso de adrenalina. É mais adequado compreendê-lo como uma resposta multifatorial, envolvendo fadiga, alterações no estado de alerta, atividade autonômica, catecolaminas e temperatura corporal.
Referências: Gallup & Gallup (2008); Guggisberg et al. (2010); Gallup & Eldakar (2012); Wang et al. (2020).
Por: Francisco Zambiasi