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Nova projeção indica permanência do El Niño forte até 2027

Modelo climático europeu aponta continuidade do fenômeno ao longo dos primeiros meses de 2027, com possíveis impactos sobre o regime de chuvas e temperaturas

Uma nova projeção do modelo climático europeu indica que o atual episódio de El Niño poderá permanecer com intensidade forte a muito forte até os primeiros meses de 2027. A atualização, divulgada no início de outubro, aponta que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve continuar elevado durante o verão e pode se estender até o outono do próximo ano.

De acordo com a projeção do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), as temperaturas da superfície do mar na região do Niño 3.4 podem permanecer próximas ou acima de 3°C de anomalia nos primeiros meses de 2027. O pico do fenômeno é projetado entre novembro e dezembro de 2026, quando alguns cenários chegam a indicar valores superiores a 4°C.

O El Niño costuma alterar o padrão de circulação atmosférica e distribuição das chuvas. No Sul do Brasil, o fenômeno está historicamente associado a maiores volumes de precipitação e maior frequência de eventos de chuva intensa, embora os efeitos variem de acordo com outros fatores atmosféricos presentes em cada período.

Para o Rio Grande do Sul, o cenário merece atenção principalmente diante da possibilidade de períodos de chuva volumosa, temporais e elevação dos níveis dos rios. O INMET destaca que episódios fortes de El Niño podem aumentar as probabilidades de precipitações intensas, alagamentos e cheias em áreas da Região Sul.

A influência do fenômeno, porém, não significa que todos os eventos climáticos serão extremos. A intensidade do El Niño não determina, isoladamente, a magnitude das chuvas ou das enchentes. Outros padrões atmosféricos e oceânicos também interferem nas condições observadas.

Projeções ainda podem mudar

Apesar de a nova rodada do modelo europeu apontar para uma permanência prolongada do fenômeno, as previsões para períodos mais distantes apresentam maior grau de incerteza. O próprio modelo apresenta diferentes cenários para a evolução do aquecimento do Pacífico ao longo de 2027.

Os órgãos brasileiros de monitoramento climático também vêm acompanhando a evolução do fenômeno. O CPTEC/INPE informou que os modelos indicam a manutenção das condições de El Niño pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, enquanto o INMET já havia apontado a possibilidade de um evento muito forte entre a primavera e o verão de 2026/2027.

Com a continuidade do monitoramento, novas atualizações deverão indicar com maior precisão como o fenômeno poderá influenciar as condições de chuva e temperatura no Brasil e, especialmente, no Sul do país ao longo de 2027.

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