A palavra misoginia pode parecer desconhecida para muitas pessoas, mas seu significado está presente em situações que, infelizmente, fazem parte do cotidiano. Misoginia é o sentimento de desprezo, hostilidade ou ódio contra as mulheres, simplesmente pelo fato de serem mulheres, ocorrendo por meio de palavras, atitudes discriminatórias e, nos casos mais graves, violência física e psicológica. Muitas vezes ela aparece de maneira silenciosa, disfarçada de brincadeiras ou comportamentos considerados normais por determinados grupos sociais.
É importante compreender que a misoginia está relacionada ao machismo, embora os conceitos não sejam exatamente iguais. O machismo corresponde a ideias e práticas que sustentam a superioridade masculina e a desigualdade entre homens e mulheres.
No ambiente familiar, a misoginia pode se manifestar quando a mulher é desvalorizada, controlada ou submetida a situações de humilhação. No trabalho, pode aparecer na desqualificação de sua capacidade profissional, em ofensas relacionadas ao gênero ou em tratamentos discriminatórios. Na política e nos espaços públicos, manifesta-se quando mulheres são atacadas não por suas ideias, mas por sua condição feminina.
Com o crescimento das redes sociais, comentários ofensivos, ataques à aparência física e discursos que procuram inferiorizar as mulheres passaram a circular com grande velocidade. O ambiente virtual, entretanto, não está acima da lei, e determinadas condutas podem gerar consequências jurídicas.
Um importante avanço no combate à misoginia ocorreu em 24 de março de 2026, quando o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 896/2023, que propõe incluir a misoginia entre os crimes de preconceito e discriminação previstos na Lei nº 7.716/1989, conhecida como Lei do Racismo. A proposta prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. Entretanto, o projeto ainda depende de aprovação definitiva na Câmara dos Deputados e de sanção presidencial.
O enfrentamento da misoginia também exige uma mudança de mentalidade, capaz de substituir o preconceito pelo respeito e a intolerância pela convivência democrática. Não devemos aceitar que a violência seja justificada pelo ciúme, pela tradição, por costumes ou por uma suposta superioridade masculina.
A misoginia não é uma simples opinião, quando se traduz em desprezo, discriminação ou violência. É um problema social que precisa ser reconhecido, discutido e enfrentado. Afinal, respeitar as mulheres não é um favor, uma concessão ou um gesto de generosidade. É um dever de cidadania, uma exigência constitucional e, acima de tudo, uma demonstração de humanidade.
Por: Tiago Baptistela