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Clima desafia desenvolvimento do trigo no Rio Grande do Sul

As chuvas frequentes registradas no Rio Grande do Sul aumentam os desafios para os produtores de trigo, especialmente nas áreas que avançam para o espigamento e o florescimento. O excesso de umidade, associado à baixa luminosidade e às temperaturas mais elevadas, favorece a ocorrência de doenças e reduz as janelas para a realização dos tratamentos fitossanitários.

Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, a elevação das temperaturas acelerou o desenvolvimento das plantas e antecipou etapas como a elongação do colmo, o espigamento e o início do florescimento. Em áreas com chuvas frequentes, nebulosidade e menor radiação solar, porém, o desenvolvimento vegetativo está abaixo do potencial. A condição também pode favorecer a lixiviação de nutrientes, especialmente o nitrogênio, comprometendo o desenvolvimento das plantas.


Risco de doenças

Com parte das lavouras entrando no período de florescimento, aumenta a preocupação com doenças favorecidas pela umidade. A Emater/RS-Ascar registra maior ocorrência de manchas foliares e alerta para o risco de giberela, que pode comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos.

As chuvas também dificultam a aplicação de fungicidas, reduzindo as janelas disponíveis para o manejo. Apesar disso, a incidência de insetos-praga permanece baixa e a sanidade geral das lavouras é considerada satisfatória.

A consultoria Safras & Mercado reforça que o clima ganhou importância nas perspectivas para a safra gaúcha. O excesso de chuvas, aliado à baixa luminosidade e às temperaturas favoráveis, pode ampliar os riscos fitossanitários e dificultar os tratos culturais.

O cenário climático se soma à redução da área cultivada e da produção projetada para o trigo no Estado. Conforme o 11º Levantamento da Safra de Grãos da Conab, a área deve diminuir 31,3%, de 1,156 milhão para 794 mil hectares.

A produção estimada apresenta retração ainda maior, de 35,1%, passando de 5,582 milhões para 2,324 milhões de toneladas. Com uma oferta menor, o comportamento do clima durante o desenvolvimento das lavouras ganha ainda mais peso no resultado da safra.


Mercado cauteloso

A expectativa sobre produtividade e qualidade mantém o mercado do cereal em ritmo moderado. A oferta limitada de trigo de melhor qualidade sustenta os preços, enquanto os moinhos mantêm postura cautelosa.

No Rio Grande do Sul, as referências permanecem entre R$ 1.300 e R$ 1.350 por tonelada, conforme a localização e a qualidade do produto. Os lotes de melhor padrão apresentam maior sustentação, enquanto cereais com especificações inferiores têm menor fluidez comercial.

Com isso, o clima das próximas semanas será determinante para o desenvolvimento das lavouras, a qualidade dos grãos e o resultado da safra de trigo no Rio Grande do Sul.

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