Secretaria de Saúde havia interrompido liberações por cinco dias devido a limites orçamentários; serviço foi retomado com reforço de recursos e ajustes no fluxo de atendimento
A autorização de exames laboratoriais na Palmeira das Missões enfrentou instabilidade entre os dias 15 e 19 de junho, quando o serviço chegou a ser suspenso temporariamente pela Secretaria Municipal de Saúde de Palmeira das Missões devido ao esgotamento de cotas e limitações orçamentárias. O atendimento foi retomado na segunda-feira, 22, com normalização do fluxo e reforço de recursos destinados à área.
Segundo a Secretaria de Saúde, o volume de exames solicitados via Sistema Único de Saúde (SUS) vinha gerando um custo diário aproximado de R$ 10 mil, com previsão mensal de cerca de R$ 50 mil apenas para exames laboratoriais. Diante da falta de dotação orçamentária suficiente, o serviço precisou ser interrompido por cinco dias.
O secretário municipal de Saúde, Sidinei Oliveira, informou que a situação foi contornada com a destinação de recursos de uma emenda parlamentar no valor de R$ 300 mil. Parte desse montante foi direcionada ao custeio de exames, enquanto o restante será utilizado em outras demandas da pasta, como manutenção de frota e combustível.
Fluxo de atendimento e aumento da demanda
Atualmente, a Secretaria disponibiliza 20 cotas pela manhã e 20 à tarde para autorizações de exames. Segundo a gestão, o limite já existia, mas vinha sendo frequentemente ultrapassado.
O aumento da demanda também chama atenção: em 2025, foram registrados mais de 260 mil exames, número praticamente duas vezes maior que o do ano anterior. A ampliação da Atenção Primária, com a contratação de novos médicos, é apontada como um dos fatores para o crescimento.
Diante do aumento na solicitação de exames, a Secretaria se reuniu com profissionais da Atenção Primária em Saúde para reforçar protocolos de prescrição. A pasta também estuda uma ordem de serviço para impedir a reemissão, pelo SUS, de requisições originadas na rede privada ou em planos de saúde.
Segundo a gestão, a medida busca adequar os fluxos e evitar duplicidade de solicitações.
Déficit na saúde segue como desafio histórico
A Secretaria afirma que o déficit orçamentário da saúde no município é histórico. Em 2025, a insuficiência de caixa teria alcançado cerca de R$ 8 milhões, parcialmente coberta por repasses extraordinários. Já em 2026, o sistema iniciou o ano com déficit superior a R$ 6 milhões.
De acordo com a gestão, emendas parlamentares federais e estaduais têm sido fundamentais para reduzir o impacto financeiro, mas ainda insuficientes diante da demanda crescente.
Transporte de pacientes também pressiona orçamento
Outro ponto destacado pela Secretaria é o custo com transporte de pacientes para atendimentos especializados em outras cidades, como Porto Alegre, Passo Fundo e Ijuí. Embora as especialidades sejam de responsabilidade estadual, o deslocamento é custeado pelo município.
O gasto anual com viagens chega a aproximadamente R$ 4 milhões, incluindo combustível, manutenção de veículos, alimentação de motoristas e logística.