Será que, para vender, a gente precisa se humilhar?
Talvez “humilhação” seja uma palavra forte. Mas existe, sim, uma submissão silenciosa acontecendo na moda e na internet. Uma necessidade constante de correr atrás do que performa, do que viraliza, do que parece relevante por cinco minutos.
Todos os dias surge uma nova tendência, uma nova estética, uma nova fórmula pronta para gerar engajamento. E, sem perceber, muita gente começou a trocar identidade por aprovação instantânea.
A moda, que antes era linguagem, expressão e assinatura, virou performance. Virou algoritmo.
Hoje, muitas marcas já não criam mais aquilo em que acreditam. Criam aquilo que o algoritmo aceita melhor. O que prende atenção rápido. O que entrega números. Existe uma ansiedade coletiva de desaparecer, de não ser visto, de não acompanhar a velocidade da internet.
E talvez seja exatamente por isso que tudo tenha começado a parecer igual.
Existe uma diferença enorme entre entender tendências e se perder dentro delas.
Nem toda trend foi feita para a sua marca. Nem toda estética conversa com o seu posicionamento. E principalmente: nem todo espaço precisa ser ocupado só porque está viralizando.
Hoje existe uma pressão absurda para participar de tudo. Como se ficar de fora significasse fracasso. Como se toda marca precisasse pertencer a todos os lugares ao mesmo tempo.
Mas quando uma marca tenta caber em tudo, ela deixa de caber em si mesma.
Existe uma linha muito tênue entre adaptação e descaracterização. Tendência só faz sentido quando ela conversa com a essência da marca — não quando obriga a marca a abandonar quem é para parecer atual.
Nem todo nicho comporta tudo. E entender isso é maturidade estética, inteligência de posicionamento e, principalmente, identidade.
No meio dessa saturação visual, talvez o verdadeiro luxo tenha mudado de lugar.
Talvez luxo, agora, seja ter personalidade.
Ter assinatura.
Ter coerência.
Ter coragem de sustentar uma identidade mesmo quando ela não acompanha o ritmo frenético da internet.
Porque tendência chama atenção.
Mas identidade permanece.
Por: Fernanda Romitti