Para ser advogado, você cursa Direito. Para ser contador, Ciências Contábeis. Para ser médico, anos de Medicina e residência. Agora responda com sinceridade: o que você estudou para ser empresário?
A maioria não estudou. Abriu as portas porque perdeu o emprego, porque enxergou uma chance no mercado ou porque herdou o negócio da família. E segue aprendendo no susto, entre boletos, clientes e funcionários.
Os números mostram o tamanho desse susto. Segundo o IBGE, das empresas abertas em 2017, apenas 37,9% seguiam funcionando cinco anos depois. Seis em cada dez fecharam as portas. E a estrutura pesa: entre as nascidas em 2016 com mais de dez funcionários, 64,9% sobreviveram; entre as sem nenhum empregado, só 38%.
Vontade não falta. A pesquisa GEM mostra que 60% dos brasileiros adultos sonham em ter o próprio negócio, e quase quatro em cada dez novos empreendedores começam por necessidade, não por planejamento.
Em mais de dez anos entre a sala de aula e as empresas, aprendi que o problema raramente é falta de esforço. O empresário trabalha muito, mas passa o dia apagando incêndios. Não sabe ao certo quanto lucra, não tem metas claras, centraliza tudo e não consegue tirar férias sem que o negócio pare.
É aqui que entra o consultor empresarial. Ele não substitui o dono. Assim como o médico pede exames antes de receitar, o consultor começa pelo diagnóstico. Depois, faz o papel de professor e parceiro de jornada: traz método, olha os números com frieza, organiza processos, ajuda a formar líderes e encurta anos de tentativa e erro. Profissionalizar a gestão não é luxo de empresa grande, é justamente o que permite a pequena crescer.
Se a faculdade prepara o advogado e o contador, quem prepara o empresário? Muitas vezes, quem ensina é o prejuízo. E essa costuma ser a aula mais cara de todas.
Diego Luiz Tonet é professor, mestre em Educação pela PUC-PR e consultor empresarial da Crescere.