Estamos quase entrando na primavera e, com ela, começa a tradicional avalanche de vitrines coloridas. Depois de meses dominados por casacos, tons fechados e produções mais sóbrias, a nova estação chega trazendo uma pergunta inevitável: afinal, quais serão as tendências da primavera-verão?
A resposta mais curta seria: muita estampa, muita cor e pouca vontade de passar despercebida.
A era em que o minimalismo parecia ser a única tradução possível de elegância começa a perder força. O bege impecável, as linhas limpas e os looks silenciosos não desaparecerão — os clássicos nunca desaparecem —, mas agora precisam dividir espaço com uma moda mais divertida, afetiva e visualmente interessante.
É o retorno da roupa que tem algo a dizer.
Morangos, cerejas, tomates, limões, flores enormes, folhagens, animais, poás e desenhos que parecem ter saído de uma toalha de piquenique invadem vestidos, camisas, bolsas e acessórios. Elementos que antes poderiam ser considerados infantis ou excessivamente literais surgem com uma nova leitura: mais sofisticada, bem-humorada e, principalmente, cheia de personalidade.
As flores, presença praticamente obrigatória em toda primavera, também mudam de comportamento. Elas deixam de ser apenas pequenas, românticas e discretas para aparecer em proporções exageradas, cores intensas e composições quase artísticas. Há espaço para o floral delicado, é claro, mas também para jardins sombrios, botânicos, tropicais e até ligeiramente dramáticos.
O poá retorna em diferentes tamanhos, do pequeno e clássico ao grande e gráfico. O xadrez aparece fora do inverno, especialmente em versões coloridas, enquanto as estampas geométricas ganham força por meio da mistura de escalas e padrões. Até a estampa animal permanece, provando mais uma vez que a oncinha já deixou de ser tendência passageira para ocupar o posto de clássico do guarda-roupa.
Mas talvez a principal mudança não esteja em uma cor ou em uma estampa específica. Está na maneira de combinar tudo isso.
A primavera-verão propõe contrastes inesperados: floral com listras, poá com xadrez, cores vibrantes com tons terrosos, tecidos fluidos acompanhados de acessórios marcantes. É uma estética que se aproxima do chamado “miximalismo”, no qual diferentes referências convivem na mesma produção sem que o resultado precise parecer uma fantasia.
Evidentemente, isso não significa usar todas as tendências ao mesmo tempo. Tendência não é uniforme, muito menos obrigação. Quem prefere produções mais discretas pode começar por um detalhe: uma bolsa estampada, um sapato colorido, um brinco criativo ou um lenço capaz de transformar peças que já existem no armário.
A diferença está justamente aí. Em vez de comprar um guarda-roupa inteiro a cada mudança de estação, podemos usar as tendências como ferramentas de atualização. Uma camisa branca ganha outra personalidade com um acessório colorido. Um vestido liso pode mudar completamente com uma estampa usada no cabelo, no pescoço ou na cintura. A novidade nem sempre está na quantidade de peças, mas na criatividade com que elas são usadas.
Depois de anos em que a discrição foi vendida como sinônimo absoluto de bom gosto, a moda parece recuperar o prazer de brincar. E brincar com a imagem não diminui a elegância de ninguém. Pelo contrário: demonstra segurança suficiente para não depender de fórmulas prontas.
A primavera pode ser leve sem ser ingênua, feminina sem ser romântica e colorida sem perder sofisticação. Ela pode ter flores, mas também pode ter força. Pode misturar estampas, exagerar nas proporções e transformar um simples tomate em protagonista de uma produção
Por: Fernanda Romitti