Dados da Radiografia da Agropecuária Gaúcha mostram a força do município no agronegócio
O município de Palmeira das Missões é referência na agricultura gaúcha. De acordo com a Radiografia da Agropecuária Gaúcha, publicada recentemente pela Secretaria de Agricultura do Estado, o município ocupa o primeiro lugar na produção de soja em sequeiro e trigo, superando regiões que tradicionalmente lideravam essas culturas.
A publicação detalha o desempenho de diversas culturas agrícolas, cadeias pecuárias, irrigação, armazenagem de grãos e o comércio exterior, reforçando a relevância do agronegócio para a economia estadual. O setor é responsável por 78,7% das exportações do RS, com destino a 233 países, totalizando US$ 15,7 bilhões. Entre os principais produtos exportados estão soja, fumo, carnes, produtos florestais e cereais, que juntos representam 90% do total. Em 2024, o Rio Grande do Sul exportou US$ 20,5 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 13 bilhões, das quais 28,4% referem-se ao agronegócio.
O desempenho de Palmeira das Missões se destaca ainda mais quando se observa o ranking estadual, o município lidera na soja em sequeiro e no trigo, ocupa a quarta posição no milho grão e milho silagem, o segundo lugar no feijão segunda safra, o oitavo na primeira safra de feijão e a quarta posição na erva-mate.
O Rio Grande do Sul e o Paraná concentram praticamente toda a produção nacional de trigo, e a safra gaúcha teve uma recuperação expressiva em 2024, crescendo 42% em relação a 2023, ano em que a colheita foi muito reduzida. Para 2025, o IBGE estima uma área cultivada de 1,16 milhão de hectares, com produção projetada de 3,65 milhões de toneladas, distribuídas em 369 municípios gaúchos.
O ranking dos maiores produtores de trigo no Estado em 2024 mostra a força de Palmeira das Missões no setor:

Para o produtor rural Gustavo Heller Nietiedt, a temporada de trigo trouxe desafios, mas também bons resultados. “A gente teve um ano relativamente bom para trigo, com um pouco de dificuldade na implantação inicial, porque tivemos um junho muito chuvoso, que é a época preferencial de plantio da nossa região. Passado esse momento, o inverno mais rigoroso deu uma condição de bastante qualidade para o trigo.
E a gente tá vendo isso no campo agora. São boas produtividades, não records, mas o número que se refere à qualidade, o peso específico, conhecido como PH, está muito alto. Isso reforça a vocação trítícoa da nossa região”.
Heller explica ainda que a produtividade e a qualidade são essenciais para manter a lucratividade. “Hoje você tá fazendo uma lavoura de trigo de altíssimo padrão, com custo que pode chegar até 45 sacas por hectare, incluindo máquinas e insumos. Se você não se tecnificar e trabalhar exatamente no modelo que vem sendo aplicado aqui, com produtividades acima de 70 sacas por hectare, o nível de lucratividade é muito pequeno. Somado ao risco, é preciso ser muito bom no que faz para garantir sucesso”.
O produtor destaca o esforço e a dedicação dos agricultores locais. “Nossa região tem vocação para soja, trigo e milho. É uma das regiões com o maior número de pivôs de irrigação no Estado, e isso só reforça a qualidade do produto que sai do campo e chega à mesa da população. É muito gratificante ver valores altíssimos de qualidade saindo de lotes tão bem cuidados pelos produtores”.
Ele ressalta também os desafios do mercado. “Dar dinheiro ao produtor é difícil, considerando os preços atuais, que ficam abaixo de R$ 60 a saca. Todo esse esforço deveria valer mais, pois colocamos literalmente alimento na mesa de cada habitante do país com muito suor”.