Municípios da região estão entre as cidades gaúchas que apresentam número de títulos eleitorais superior à população estimada
Boa Vista das Missões e Cerro Grande estão entre os municípios do Rio Grande do Sul que possuem mais eleitores registrados do que habitantes. O cenário foi identificado a partir do cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e das estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em Boa Vista das Missões, a população estimada é de 1.968 habitantes, enquanto o município conta com 2.080 eleitores aptos a votar. A diferença é de 112 títulos, o equivalente a 5,7% a mais de eleitores em relação à população estimada.
Em Cerro Grande, são 2.428 habitantes estimados e 2.490 eleitores registrados. Nesse caso, a diferença é de 62 títulos, correspondendo a aproximadamente 2,6% acima do número de moradores.
Situação envolve dezenas de municípios
O levantamento aponta que 74 dos 497 municípios gaúchos apresentam número de eleitores superior à população estimada. Em 73 dessas cidades, a população é inferior a 4 mil habitantes.
A situação também se tornou mais frequente nos últimos anos. Nas eleições de 2022, 69 municípios do Estado apresentavam eleitorado superior à população. Atualmente, a maior diferença é registrada em Itati, no Litoral Norte, que possui 762 títulos eleitorais a mais do que habitantes estimados.
Para a comparação, foram considerados os dados mais recentes disponíveis nas duas bases: o eleitorado registrado pelo TSE em agosto de 2026 e a estimativa populacional do IBGE com referência a 1º de julho de 2025.
Vínculo eleitoral pode explicar diferença
A existência de mais eleitores do que habitantes não significa, necessariamente, que os números populacionais estejam incorretos. Uma das explicações está nas regras que definem o domicílio eleitoral.
O eleitor pode manter seu título em um município diferente daquele onde reside atualmente, desde que possua algum vínculo com a localidade. Entre os critérios considerados estão relações familiares, afetivas, profissionais, patrimoniais, comunitárias ou políticas.
Outro fator apontado por especialistas é a manutenção do título no município de origem. O professor e doutor em Geografia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Cleder Fontana, explica que esse comportamento pode estar relacionado, inclusive, ao tipo de eleição. Nas disputas estaduais e federais, a menor proximidade entre eleitores e candidatos pode fazer com que parte da população não atualize o cadastro eleitoral mesmo após mudar de município.
Assim, a diferença entre população estimada e eleitorado pode refletir a mobilidade dos moradores e a permanência de vínculos eleitorais com os municípios de origem. Em cidades pequenas, onde algumas dezenas de registros já representam uma parcela significativa da população, essa diferença acaba ganhando maior proporção.