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Estado contabiliza menos de mil casos confirmados neste ano, cenário muito diferente do registrado em 2025, quando a doença provocou dezenas de mortes
O Rio Grande do Sul registrou uma queda de 97,1% nos casos de dengue em 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam que, até o dia 8 de maio, foram confirmados 994 casos da doença e um óbito em território gaúcho. No mesmo intervalo de 2025, o Estado já havia contabilizado 35.433 casos e 32 mortes.
A redução expressiva é resultado de uma combinação de fatores: ampliação das ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, condições climáticas menos favoráveis à proliferação do inseto e avanço gradual da vacinação contra a dengue.
Apesar do cenário mais controlado neste ano, autoridades de saúde alertam que o monitoramento e os cuidados preventivos seguem essenciais para evitar novos surtos.
Estratégias de combate ao mosquito ganharam força
Entre as principais medidas adotadas pelo Estado está a ampliação do uso de ovitrampas, armadilhas utilizadas para identificar a presença e o nível de infestação do mosquito transmissor da dengue. Atualmente, a estratégia já está presente em 342 municípios gaúchos, o equivalente a cerca de 86% do território estadual.
As armadilhas ajudam equipes de vigilância a localizar áreas de maior circulação do Aedes aegypti e direcionar ações de prevenção de forma mais eficiente.
Outra medida que ganhou reforço em 2026 foi a borrifação residual intradomiciliar, técnica que utiliza inseticida aplicado em pontos estratégicos dentro das residências. O produto permanece ativo por cerca de quatro meses e atua nos locais onde o mosquito costuma repousar.
Neste ano, 224 municípios passaram a utilizar a estratégia — número significativamente maior do que o registrado no mesmo período de 2025.
Clima ajudou a reduzir a circulação do mosquito
As condições climáticas também contribuíram para a diminuição dos casos. O inverno de 2025 foi considerado mais rigoroso em relação aos anos anteriores, enquanto a primavera apresentou menos chuvas, reduzindo o acúmulo de água parada e, consequentemente, os criadouros do mosquito.
Ainda assim, especialistas alertam para a possibilidade de mudanças no cenário nos próximos meses. Projeções climáticas indicam influência do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, o que pode provocar aumento das temperaturas e dos volumes de chuva — condições ideais para a proliferação do Aedes aegypti.
Vacinação avança de forma gradual
A vacinação contra a dengue também aparece como um dos fatores associados à redução dos casos, embora a cobertura ainda esteja concentrada em grupos específicos.
Desde 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina Qdenga para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, faixa etária considerada mais vulnerável às hospitalizações pela doença. Neste ano, a vacinação foi ampliada para todos os municípios do Estado.
Além disso, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição da Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue desenvolvida no mundo. As primeiras doses começaram a ser destinadas aos profissionais da atenção primária à saúde, e a expectativa é ampliar gradualmente a imunização para a população geral.
Prevenção continua sendo fundamental
Mesmo com a redução nos números, especialistas reforçam que a principal forma de prevenção continua sendo o combate aos focos do mosquito.
Entre as recomendações estão eliminar recipientes com água parada, manter caixas d’água fechadas, limpar calhas e utilizar repelentes e telas de proteção em áreas com maior circulação do mosquito.
– Informações de Secretaria Estadual da Saúde do RS