Autoridades reforçam a importância da denúncia e do afastamento da relação abusiva como forma de evitar a escalada da violência
O mês de janeiro de 2026 chega ao fim contabilizando 10 casos de feminicídio no Rio Grande do Sul, acendendo um alerta máximo para a violência contra a mulher no Estado. O dado evidencia a gravidade do cenário logo no início do ano e reforça a urgência de ações preventivas, políticas públicas eficazes e o fortalecimento da rede de proteção às vítimas. É nesse contexto de atenção redobrada que os números da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS), referentes ao município de Palmeira das Missões, ajudam a compreender o comportamento da violência doméstica nos últimos dois anos e os desafios que ainda persistem no enfrentamento desse tipo de crime.
A análise comparativa dos dados de 2024 e 2025 mostra que, embora haja redução em crimes mais graves, como feminicídio consumado e lesão corporal, os registros de ameaça seguem em crescimento, permanecendo como a principal ocorrência relacionada à violência doméstica no município.
Feminicídios consumados e tentadosEm 2024, Palmeira das Missões registrou um feminicídio consumado, ocorrido no mês de agosto, além de duas tentativas, contabilizadas em abril e julho. Já em 2025, conforme os dados da SSP-RS, nenhum caso consumado foi registrado no município, com uma tentativa anotada em março.
Para a Delegada Regional Aline Dequi Palma, qualquer ocorrência de violência doméstica deve ser tratada como um sinal de alerta, uma vez que crimes mais graves costumam ser precedidos por outros tipos de agressão.“Todo registro que envolve violência doméstica acende um alerta, pois sabemos que o feminicídio nunca é um crime isolado. Sempre precede um outro tipo de violência, seja verbal, psicológica, física, sexual. A vítima, durante o registro, sempre é orientada a se afastar da relação abusiva e violenta, pra evitar a ocorrência de crime mais grave”.
Ameaça concentra o maior número de ocorrências
Os registros de ameaça lideram as estatísticas de violência doméstica em Palmeira das Missões. Em 2024, foram contabilizados 168 casos, com aumento progressivo ao longo do ano e picos nos meses de novembro (23 casos) e dezembro (25 casos).Em 2025, o número subiu para 174 registros, representando um crescimento de aproximadamente 3,5% em relação ao ano anterior. Janeiro (19 casos), agosto (18 casos) e os meses finais do ano voltam a apresentar maior concentração de ocorrências, o que reforça um padrão já identificado pelas forças de segurança.A delegada destaca que fatores sazonais influenciam diretamente esse tipo de crime. “A gente percebe que nessas épocas de férias e festas de final de ano, a violência doméstica tende a aumentar, especialmente em razão do consumo de bebidas alcoólicas e de reuniões familiares”.
Casos de estupro permanecem
Os dados da SSP-RS apontam estabilidade nos registros de estupro no município. Em 2024, Palmeira das Missões registrou oito casos, distribuídos entre os meses de fevereiro, março, maio, junho e agosto. Em 2025, novamente foram oito ocorrências, com maior concentração no segundo semestre do ano.Apesar da manutenção dos números, a Polícia Civil alerta para a possibilidade de subnotificação, especialmente em crimes sexuais praticados no contexto doméstico.
“Acreditamos que ainda há uma grande subnotificação deste tipo de crime por inúmeras razões, especialmente pelo medo e vergonha da vítima em efetuar o registro e também pela falta de orientação e compreensão de que a violência sexual nas relações íntimas também existe e pode ser denunciada”.
Redução em lesões corporaisUm dos principais destaques positivos do levantamento é a queda nos registros de lesão corporal. Em 2024, foram 94 casos em Palmeira das Missões. Já em 2025, o número caiu para 62 ocorrências, o que representa uma redução de aproximadamente 34%.
Para a delegada Aline, esse resultado está diretamente relacionado às ações preventivas desenvolvidas pela Polícia Civil em conjunto com a rede de apoio. “Acredito que todas as ações preventivas realizadas pela Polícia Civil (PC) e pela rede de apoio contribuíram para a redução deste tipo de crime. Nós, da PC, estamos fazendo um trabalho preventivo de diversas formas, visando orientar e conscientizar a sociedade em geral. São palestras, participação em entrevistas, papo de responsa, panfletagem em feiras e locais de grande movimentação de pessoas, orientações nas redes sociais, etc”.
Medidas protetivas e monitoramento
Segundo a Polícia Civil, na maioria dos registros de violência doméstica, as vítimas já buscam proteção imediata e quando há determinação judicial, o agressor pode ser incluído em programas de monitoramento eletrônico. “Quando o Judiciário determina que o agressor seja incluído no programa de monitoramento por tornozeleira eletrônica, a instalação do equipamento é feita pela Polícia Civil, porém é a Brigada Militar quem faz esse monitoramento. Nos demais casos, a patrulha Maria da Penha, da BM, verifica situações de descumprimento e comunica a Polícia Civil”.
Canais de denúncia e orientação
A Polícia Civil reforça que as vítimas podem buscar ajuda por diferentes meios, inclusive sem sair de casa.–As vítimas podem procurar as Delegacias de Polícia, e também todos os demais órgãos de Segurança Pública, para relatar crimes. Além disso, vítimas de violência doméstica podem fazer registro de ocorrência e solicitar medidas protetivas de forma online, sem sair de suas residências.Temos ainda o DISQUE 180 que é a Central de Atendimento à Mulher– reforça a Delegada Regional.