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Aumento de ocorrências com escorpiões acende alerta em Palmeira das Missões

O aumento de ocorrências envolvendo escorpiões tem preocupado as autoridades de saúde em Palmeira das Missões. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, apontam que, entre 2021 e 2025, foram registrados 39 acidentes com escorpiões no município, com maior concentração nos meses de verão, período favorável à proliferação desses animais.

O ano de 2023 apresentou o maior número de notificações, com 16 casos, seguido por 2024, com 10 registros, e 2025, que já contabiliza nove ocorrências. Os números reforçam a relação direta entre o aumento das temperaturas, a alta umidade e o deslocamento dos escorpiões para áreas urbanas.

A análise mensal mostra que os casos se concentram principalmente em janeiro, fevereiro e novembro, meses caracterizados pelo calor intenso. Já entre abril e setembro, período mais frio no Rio Grande do Sul, a incidência é menor, evidenciando a sazonalidade típica do escorpionismo.

Levantamentos do Painel de Escorpiões do Rio Grande do Sul indicam que, no período analisado, foram 47 escorpiões notificados em Palmeira das Missões. A maioria pertence à espécie Tityus costatus, conhecida como escorpião-manchado, com 35 registros. Essa espécie apresenta alta capacidade de adaptação ao ambiente urbano, sendo encontrada com frequência em entulhos, ralos, frestas e áreas domiciliares.

Também foram identificados 11 registros do escorpião-preto (Bothriurus bonariensis), espécie mais comum em áreas rurais, além de um registro de Tityus bahiensis. A presença dessas espécies indica que o município enfrenta um risco misto, envolvendo tanto áreas urbanas quanto rurais.

Segundo a Vigilância Sanitária, as alterações no ambiente natural, provocadas pelo desmatamento e pela expansão urbana, contribuem para o deslocamento dos escorpiões. A perda de habitat e a escassez de alimento fazem com que esses animais busquem abrigo e alimento em residências, terrenos baldios e áreas de construção.

Outro fator determinante para a presença dos escorpiões é a proliferação de baratas, principal fonte de alimento desses animais. Locais com acúmulo de lixo, entulhos e matéria orgânica favorecem a presença desses insetos, o que acaba atraindo os escorpiões para o interior das residências. Historicamente, áreas com alta incidência de escorpiões também apresentam registros frequentes de baratas.

Os grupos mais expostos aos acidentes são trabalhadores da construção civil, crianças e pessoas que permanecem por longos períodos dentro ou ao redor das residências. Também estão em situação de risco trabalhadores de madeireiras, transportadoras e distribuidoras de hortifrutigranjeiros, em razão do manuseio de materiais onde os escorpiões podem se alojar.

Apesar de não haver registro da presença do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) no município, espécie associada aos casos mais graves e a óbitos, especialmente em crianças, a Vigilância Sanitária reforça a necessidade de atenção redobrada e de medidas preventivas contínuas.

A orientação é que a população mantenha quintais e terrenos limpos, evite o acúmulo de entulhos e lixo, vede frestas em paredes, portas e janelas e redobre os cuidados ao manusear objetos e roupas, especialmente durante a noite, período de maior atividade dos escorpiões.

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