Workshop reúne cadeia produtiva do leite para diálogo e soluções

por Camila Scherer, 21/10/2016 às 10:48 em Geral

Com o objetivo de aproximar o diálogo entre as diversas entidades ligadas à produção leiteira, ocorreu em Palmeira das Missões, nesta quarta e quinta-feira, o 1° Workshop sobre a Cadeia Produtiva do Leite, promovido pela Universidade Federal de Santa Maria, campus Palmeira das Missões, em conjunto com a Escola Técnica Celeste Gobbato, Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Estado, Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores, Emater-RS/ASCAR, Corede Rio da Várzea, curso de Zootecnia, grupo de pesquisa Inovazoot, Sindicato Rural e Jornada Acadêmica Integrada (UFSM). 

O coordenador da primeira edição do Workshop, professor Doutor da UFSM João Pedro Velho, explica que a região de Palmeira das Missões tem um grande potencial na produção de leite, com a importante presença de uma indústria com capacidade de captação de um milhão de litros por dia. “Temos terra apropriada para a produção de leite, porém, nesta época, há muita terra ociosa, por isso queremos incentivar o agricultor a produzir por meio da integração lavoura-pecuária, trazendo lucro e sustentabilidade para as propriedades”, comenta ele. 

Um dos principais desafios, conforme João Pedro, é a questão do preço do leite, porém, o Workshop surgiu para propor alternativas que possam aumentar o lucro do produtor, melhorando o desempenho da produção, focando na sucessão familiar. “Uma alternativa ainda pouco praticada aqui em Palmeira é o chamado Compost Barns, que consiste no confinamento do gado leiteiro em celeiros, oferecendo um bem-estar tanto para o animal quanto para o produtor, pois em dias chuvosos, por exemplo, o agricultor não teria o transtorno com o barro”, explica o professor, acrescentando que os dejetos do gado misturados à serragem podem ser utilizados como composto orgânico na propriedade. Além disso, o gado confinado terá maior conforto térmico, o que comprovadamente aumenta a produtividade de leite.  

Para o produtor rural Ivonei Librelotto, que recebeu o prêmio da Farsul neste ano de produtor do ano e que possui uma propriedade modelo no sistema integração lavoura-pecuária, não basta o produtor participar de eventos como este e não saber processar as informações, colocando em prática o conhecimento adquirido. “A cadeia leiteira é muito frágil e o elo mais fraco é o produtor. Acredito que a chave para o aumento da eficiência da produção seja aumentar a escala, ter os custos na palma da mão, ser associado a alguma cooperativa e fazer parte de uma agroindústria”, propôs ele. 

Programação diversificada integrou várias temáticas sobre a bacia leiteira

A abertura do evento ocorreu na manhã de quarta-feira (19), no auditório do campus da UFSM, com a presença de diversas autoridades representando o setor, além de estudantes dos cursos relacionados e produtores rurais. Participou da atividade o presidente da Emater-RS/ASCAR, Clair Kuhn, afirmando que a iniciativa é importante para alavancar os jovens atuantes, incentivando o agricultor a repassar as responsabilidades da propriedade para as próximas gerações, evitando assim o êxodo rural. “O leite é uma das principais cadeias que movimentam a economia de cidades como Palmeira. A propriedade rural é a maior indústria, pois gera empregos direta e indiretamente, fomentando toda a cadeia produtiva”, observa ele. 

O vice-reitor da UFSM Paulo Bayard Dias Gonçalves destaca que a produção leiteira é um dos temas mais importantes no Rio Grande do Sul, com o crescimento significativo da produtividade ao longo dos anos. “Estamos em segundo lugar em produção no Brasil, perdendo apenas para Minas Gerais. A cadeia produtiva do leite é responsável por 10% do PIB gaúcho e 95% da produção vêm da agricultura familiar, por isso temos que trabalhar para manter o homem no campo”, comenta Paulo.

O prefeito Eduardo Russomano Freire também esteve durante a abertura do Workshop declarando que o grande desafio atual é agregar valor e fazer com que a agricultura se diversifique. Conforme Eduardo, é necessário conscientizar os grandes produtores para que tenham compromisso com a cidade, investindo aqui, e dar suporte aos pequenos agricultores com a assistência técnica que já é uma referência.  

Logo após, o público prestigiou a primeira palestra com o professor Doutor Geraldo Tadeu dos Santos, da Universidade Estadual de Maringá, sobre como agregar valor ao leite e derivados com propriedades bioativas. Diante de diversos casos de fraudes no leite, o palestrante trouxe relevantes informações que apontam as propriedades dos laticínios e sua influência para a boa saúde do ser humano. 

Durante a quarta-feira, também integrou a programação a palestra com o médico veterinário Danilo Cavalcanti Gomes, da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Estado, sobre a legislação estadual do leite. À tarde, o público acompanhou a palestra sobre Ciclagem de nitrogênio em pastagens, com o professor Doutor Paulo Sérgio Gois Almeida da UFSM e com o Doutor Felipe Lorensini da Emater. Ainda, ocorreu a palestra sobre Reprodução de vacas de leite: mortalidade embrionária, com o professor Doutor Alfredo Quites Antoniazzi, da UFSM. E, encerrando a quarta-feira, foi realizada uma mesa redonda sobre a necessidade de leite pelas indústrias instaladas na região norte do Rio Grande do Sul. 

Já na quinta-feira (20) as atividades do Workshop foram realizadas na Escola Técnica Celeste Gobbato, com a presença massiva de produtores rurais de mais de 40 municípios da região, além dos estudantes e público em geral. Pela manhã, ocorreu a palestra sobre os procedimentos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com relação à inspeção de produtos lácteos, com o Doutor Alexandre Trindade Leal, do MAPA. Logo após, ocorreu a palestra sobre a produção de leite da Escola Técnica Celeste Gobbato, que apresentou os resultados entre 2009 e 2012, com a professora Doutora Ione Maria Pereira Haygert Velho, da UFSM. 

Ainda na manhã, foi realizada a palestra sobre o Programa Produza Alimento Colha Saúde, com Dulcenéia Haas Wommer, da Emater, e também a palestra sobre Avaliação fenotípica de fêmeas da raça Holandês, com o médico veterinário José Ernesto Wunderlich Ferreira, jurado oficial da Associação de criadores de bovinos da raça Holandês. O período da tarde foi destinado à visitação das cinco estações de campo em que foram abordados assuntos técnico-científicos com demonstrações. As estações foram separadas em: 1ª – sobressemeadura de leguminosas em pastagem de tifton; 2ª – crescimento das bezerras leiteiras; 3ª – produção e qualidade do leite para consumo in natura e produção de derivados lácteos; 4ª – alimentação e nutrição de vacas em lactação e a 5ª – produção e manejo de alfafa. 

Texto: Priscila Devens

Fotos: Milton Taborda/TP

 

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