A valorização e percepção positiva da Marca Agro começa por você

24/11/2023

Você realmente se importa com aquilo que você não conhece? Eu acredito que não. Somente conhecendo algo é que você passa a ter clareza sobre o assunto e consequentemente interesse. Sem contar que ao ter conhecimento sobre algo, você deixa de somente emitir opinião e passa a ter a capacidade de argumentar de forma sólida. Pois, uma grande e natural tendência cognitiva do ser humano é cair na ilusão de pensar que muito sabe sobre algo, ao passo que não sabe praticamente nada sobre aquilo. Já que para entendermos que de fato não sabemos muito sobre algo e para identificarmos as lacunas que existem na nossa pequena compreensão, precisamos ter o mínimo de conhecimento sobre o assunto em questão. E essa tendência cognitiva se acentua em tempos de redes sociais e de uma sociedade cada vez menos informada, mesmo com acesso a abundante conhecimento e informações.

Assim, dentro desse contexto, como seria possível disseminar o real conhecimento e valor sobre o setor e marca Agro e despertar o interesse de quem possui pouca compreensão sobre? A resposta se encontra na comunicação entre ambas as partes. Ou seja, é preciso construir uma boa narrativa, embalada por uma boa percepção de marca. Pois, em um mundo com muita competição por atenção, ganha aquele que consegue construir e contar a melhor e mais atraente história. E a história do Agro ainda pode ser melhor explorada ao ser contada de forma coerente, realista e grandiosa pelas pessoas que fazem o Agronegócio acontecer em nosso país. Pois, devido a narrativa que foi sendo escrita ao longo dos anos no Brasil sobre esse setor e sobre essa marca, para uma grande parcela da sociedade, seja dentro ou fora do país, o Agronegócio conquistou uma reputação negativa, distante da realidade e diferente da qual quem está dentro desse setor gostaria que fosse.

E tudo isso ocorre, pois de um lado há muitas opiniões, pouco conhecimento e poucos argumentos vindos de quem talvez nunca pisou em uma propriedade rural ou que não conhece a realidade de uma. Ao mesmo tempo que do outro lado há uma comunicação na sua maioria muito agressiva, na defensiva, pouco informativa e pouco educativa. Por consequência, essa relação entre ambos lados acaba sendo muito conflituosa, apresentando somente defesas de pontos de vistas, imposições, pouco diálogo e pouca compreensão. Uma realidade que acaba não sendo saudável e nem positiva para o setor e que dá vida há um dos maiores desafios do Agronegócio: a comunicação e entendimento entre o campo e a cidade.

E como mudar essa situação? Precisa-se primeiro haver entendimento que comunicação é sempre sobre quem emite a mensagem e não sobre quem recebe. Então, se a marca Agro ainda não consegue fazer-se entendida como deseja, talvez é momento de mudar a abordagem. Cada pessoa que faz parte desse setor precisa buscar compreender o atual mundo que vivemos, a atual sociedade que estamos inseridos e todos seus contextos, para assim se comunicar melhor, falando uma língua que seja compreendida por todos, principalmente por aqueles que não vivem e não conhecem a realidade do campo. Pois, somente defender seu viés de confirmação, impor uma ideia e buscar comprová-la no mesmo tom de quem rebate, não trará bons resultados, somente seguirá contribuindo para a polarização dos lados.

Portanto, ao comunicar melhor a marca Agro, com certeza uma nova imagem sobre esse setor poderá ser construída. Uma imagem que torna possível gerar uma percepção muito diferente da qual a marca possui hoje. Pois, percepção não está relacionada ao que afirmamos sobre algo. A percepção vem daquilo que o outro vê e pensa sobre um ponto em questão. Porém, podemos influenciar no que o outro vê e pensa e na percepção que desejamos que ele tenha, no momento que emitimos os sinais e a mensagem de uma forma condizente com a imagem que queremos passar.

Então, mudar a atual percepção sobre o Agronegócio é sim possível, mas somente a partir de um trabalho de longo prazo, com muita paciência e constância na construção de uma marca sólida. Um trabalho que começa com qualquer pessoa que faz parte desse setor, que também pode e necessita começar dentro do digital. Um ambiente que ainda reserva muito espaço para o assunto Agronegócio, desde que o discurso utilizado seja diferente do atual. Pois, o discurso agora precisa ser envolvente e precisa trazer as pessoas para dentro da realidade do Agronegócio, mostrando ou dialogando de uma forma mais passiva, educativa e explicativa sobre o setor. Tudo para que a marca Agro seja posicionada de uma maneira diferente na mente das pessoas e da sociedade e para que daqui por diante, dia após dia, essa marca passe a ser vista de forma mais positiva, sem gerar ruídos, dúvidas e discussões e para que ela fale por si só o que significa e representa, sem ninguém precisar ficar provando isso o tempo todo.

Deste modo, olhar para o Agro como uma marca que precisa ser melhor gerida e entender a responsabilidade de cada pessoa que faz parte desse setor de comunicar essa marca com uma abordagem mais favorável, principalmente dentro do digital, já não é mais uma alternativa, é uma necessidade. Pois, a ausência dentro do digital de quem de fato conhece sobre o assunto, gera espaço para aqueles que vendem uma opinião e criam um movimento que ganha forças e enfatiza os entraves e ruídos da marca Agro.

Assim, questiono você que faz parte desse setor: O que você tem feito para comunicar a marca Agro no seu dia a dia, seja no físico como principalmente no digital? Qual a sua abordagem na hora de comunicar-se com o outro lado? E como você tem gerido sua imagem e a imagem do Agronegócio para influenciar seu setor de forma positiva? Se as respostas não estiverem muito de acordo com tudo que eu apontei até aqui, acredito que é hora de você rever alguns pontos. Pois, a valorização e percepção positiva que você tanto deseja que o Agro tenha, começa por você.

Renata Quedi. Economista especializada no Digital, Empreendedora Digital, Criadora de Conteúdo, Influenciadora e Palestrante.